O Brasil deve quase dobrar a capacidade de geração distribuída nos próximos dez anos. É o que projeta o Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo a EPE, a micro e minigeração distribuída deve passar de cerca de 50 GW em 2026 para 92 GW em 2036.
A micro e minigeração distribuída é a energia produzida perto de onde é consumida, como os sistemas solares em telhados de casas, comércios e propriedades rurais e as usinas solares de pequeno porte conectadas às redes das distribuidoras.
Os principais números do plano
- Consumo de eletricidade: crescimento de 3,4% ao ano, chegando a 979 TWh em 2036;
- Solar e eólica: devem responder por cerca de um terço da geração de eletricidade em 2036, contra 28,1% em 2026;
- Baterias: 7,2 GW de sistemas de armazenamento;
- Resposta da demanda: 4,0 GW, quando consumidores ajustam o uso de energia conforme a necessidade do sistema;
- Hidrelétricas reversíveis: 2,0 GW, que aparecem pela primeira vez na expansão indicativa do plano;
- Investimentos: cerca de R$ 3,3 trilhões entre 2027 e 2036 em toda a área de energia.
Somando baterias e hidrelétricas reversíveis, a capacidade de armazenamento chega a 9,2 GW, segundo a Agência iNFRA.
Por que tanta geração distribuída
Segundo a EPE, a demanda cresce com a eletrificação da economia, os veículos elétricos e os data centers, cujo consumo deve passar de 3 TWh em 2026 para 30 TWh em 2036. Ao mesmo tempo, a geração distribuída ganha escala e torna mais dinâmica a relação entre quem produz e quem consome energia, o que aumenta a importância do armazenamento e da resposta da demanda.
Consulta pública termina hoje
O PDE 2036 está em consulta pública (Consulta Pública MME nº 235, aberta pela Portaria SNTEP/MME nº 3.246) de 8 de outubro a 6 de novembro de 2026. As contribuições podem ser enviadas pela página de consultas públicas do MME e pela plataforma Brasil Participativo.
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